DOMINAÇÃO / SUBMISSÃO x SADISMO / MASOQUISMO

Após algum tempo longe deste novo blog (sim, havia um antigo), comecei a escrever um tópico para ser postado aqui referente a algo que exigia um conhecimento do título acima. Como penso que os maiores leitores deste blog venham, eventualmente, a ser os iniciantes, vi a necessidade de escrever sobre isto.
Não quero ser o último e melhor retentor do conhecimento sobre origem desta nomenclatura ou significado desta, mas devo colocar aqui a conclusão que cheguei após alguns anos de contato com este mundo: BDSM tem as iniciais para Bondage, Dominação, Sadismo, Submissão, Masoquismo. E, como percebemos, é uma tentativa de agrupar vários desejos, fetiches, taras, impulsos que são extremamente individuais. Simpatizo com esta tentativa, mas não acredito que todos B são D, e que todos os S são o outro S ou todos os S sejam M.
Antes de tudo, bondage é a palavra usada para imobilização. São praticantes de bondage aqueles que gostam e usam de cordas, silver tape, algemas, etc.


Visto isto, nos resta a dicotomia presente no título deste tópico.
A Dominação / submissão ocorrem quando o Mestre manda seu escravo limpar botas, ajoelhar-se diante dele, xinga, abusa, coloca uma coleira, faz seu escravo de móvel, utensílio, ou mesmo de doméstico, trabalhador braçal. Mas esta troca de poder também ocorre quando o Mestre se preocupa com seu escravo, o acolhe, cuida, zela, acompanha cada passo dado para conduzi-lo, ensina-lo seus deveres como escravo (os que estão no contrato daquela relação, claro). Isto é óbvio? Nem tanto.




Tomando como verdade que temos um Mestre consciente de seus desejos e dos desejos de seu escravo, muito provavelmente estará se enganando (e não ao Mestre) aquele escravo que pensar assim: “vou cumprir esta ordem rapidamente, assim quem sabe consigo algo que quero, ou então acabar com isso logo”. E o Mestre que pensa o seguinte: “vou dar algumas ordens assim consigo comer este cara logo, que é meu objetivo” ou então “deixa eu inventar algo para ele fazer, assim dou a impressão que sei dominar e partimos para algo que me interessa mais”.
O escravo que faz isso realmente está se submetendo? E o Mestre? Está dominando de fato ou acha que está? O que quero dizer aqui é que não existe a real Dominação / submissão sem uma entrega. Entrega das duas partes: o gozo em se praticar a Dominação / submissão é mandar e obedecer com prazer. Repreender e desculpar-se de coração. Ensinar e aprender com vontade. Guiar e ser conduzido com confiança. Olhar e ser visto com algum envolvimento.
Bom, afinal de contas somos todos adultos e estamos fazendo tudo isso por vontade própria, e por prazer, não? Qual o motivo de não sermos sinceros com o companheiro (mesmo que momentâneo)?
A sinceridade está muito ligada à entrega. É a quem sentimos uma grande sinceridade que nos ligamos. E quando retribuímos esta sinceridade é que nos entregamos. Quando há este tipo de entrega, não há vergonha em abaixar a cabeça e se ajoelhar na frente de um Mestre, ou medo de olhar para o escravo e não saber o que fazer.
A Dominação / submissão é só a ação entre um Mestre e um escravo, mas sim o envolvimento, entrelaçamento psicológico e de alma (espírito, inconsciente, como preferir) que é estabelecido entre os dois. É mais do que mandar e obedecer, ensinar e aprender. É também acreditar, confiar, cuidar e atentar para o outro. E é exatamente por isso que uma relação extrema de Dominação / submissão não tem nenhuma necessidade de conter a penetração propriamente dita, seja ela anal ou oral. Sim, então é possível tem uma relação BDSM sem a antiga referência sobre sexo que temos em nossa mente, ou seja, de penetração. O Sadismo / masoquismo é muito mais concreto. O prazer que o Sádico tem em infligir a dor e o masoquista de recebe-la é puramente física. Geralmente o Sádico tem o seu prazer tanto em proporcionar a dor ao masoquista quanto em vê-la sendo provada. O masoquista também geralmente sente prazer não só com a dor que está sentindo como quando olha para o sádico e percebe que ele sente prazer fazendo isto.


Como acredito ser tudo muito fluído neste mundo BDSM e que as coisas não sejam tão compartimentadas desta forma, acho que na maioria dos casos há uma porcentagem de Dominação / submissão e outra porcentagem de Sadismo / masoquismo. Mas também acredito que há aquelas relações extremistas. Então, é procurar saber qual é o seu estilo.

Até a próxima,
CigarMaster

DRESS-CODE

Quanto mais pesquisamos sobre LEATHERMEN e BDSM, mais encontramos referências ao couro. Especificamente o couro preto. Ao mesmo tempo, não é muito difícil ver alguém que não tenha nada a ver com BDSM vestindo couro preto. É óbvio também que alguém inteiramente conectado com o BDSM não sai sempre de casa vestindo o couro. Mas em algum encontro específico, casa apropriada para isso, ou demonstração pública de seus interesses, o couro ainda se mantém uma ótima referência.
Para iniciantes, a dica é não entrar cegamente em uma loja de couro e comprar o que achar pela frente ou mesmo mandar fazer algum adorno. Nos clubes BDSM originais no exterior, já era esperado mesmo que você tivesse suas peças de couro. O interessante agora seria pesquisar antes um pouco sobre o que os “leathermen” usam e qual o significado de cada coisa. Uma imagem equivocada pode ser passada usando os acessórios errados e uma vez que o dinheiro já saiu de seu bolso, vai ser bem chato perceber o erro.
Dependendo de sua atitude e de onde está, um par de botas (só em casos muito específicos tênis ou sapatos fazem a vez), um jeans (escuro) e uma camiseta são bem suficientes. Não é um problema se você não tem uma jaqueta, colete, “chaps”, braceletes, calça de couro ou luvas de couro. Mas é um grande problema se você veste uma coleira sem ter muito bem idéia do que isso quer dizer.
Sobre a coleira, qualquer coisa que você vista envolta do pescoço quer dizer que você tem um Dono e / ou não está livre para outros contatos. Já vi alguns usarem uma corrente no pescoço para indicar que são submissos, mas com um cadeado aberto, para sinalizar que ainda não foram “arrebatados”. Analisando um pouco de perto esta atitude, acho que um cadeado aberto no pescoço de um submisso indica que ELE tem a chave. Contraditório, me parece, não? E além: o próprio submisso saiu e comprou uma corrente (coleira, que seja)? Se eu quiser dominá-lo, posso usar uma coleira minha ou TENHO que usar a dele? Já vi alguns Mestres / Dominadores com uma coleira (ou guia) pendurada no cinto ou passador da calça. Isso é um bom indicativo de que estão atrás de um submisso / escravo.

Os arreios são um pouco mais fáceis de categorizar. Aqueles que têm uma coleira ou consolo acoplado, um cinto de castidade, obviamente servem para os escravos / submissos.

Quanto aos braceletes, repare no braço em que estão. No braço esquerdo, indica que é um Mestre / Dominador. No braço direito, o contrário: submisso / escravo. E quando há braceletes nos dois braços? O “leathermen” pode querer dizer que é um switcher (aquele que varia dentro dos papéis de Dominador / Mestre versus escravo / submisso). Não sei até onde isso confere, mas acredito que mesmo os switchers indicam sua preferência com o tamanho ou importância que dão ao bracelete de cada lado.
As botas são realmente difíceis de errar. Para uma imagem mais dentro do BDSM, acho que não são aconselháveis botas estilo country (a não ser que ESTA seja a intenção). Também descarte as mais enfeitadas, coloridas, ou mais “fashion” ou “estilosas”. Botas são para parecerem grossas, masculinas. Há inclusive os que esperam encontrar botas sujas, gastas e mal-tratadas. E se você vir um cara usando botas muitíssimo lustradas e dando um destaque especial para o par, provavelmente está atrás de um bom “boot service”, ou seja, um lustre de língua.
Sobre cintos e calças de couro não há tanto o que falar. Não sendo (novamente) “fashion” ou “estiloso” demais, não acredito no erro. E, claro, preferivelmente pretos e a calça quanto mais básica, melhor. Se falta a calça de couro, um bom e velho jeans (o mais escuro possível) resolve a situação.
As camisas de couro preto são geralmente bem bonitas e muito quentes também. Eu tenho uma e não consigo usar com esta temperatura de Angola que temos aqui. Mas tenho um amigo que resolveu o problema comprando uma camisa de couro inteiramente perfurada (feita para a transpiração). Quase imperceptíveis, estes furos resolvem nosso problema tropical.
Não havendo uma camisa de couro, uma boa camiseta sem estampa faz a vez. As que não valem mesmo são as coloridas. Se vestir isto, com certeza quebrará o visual. A preta é a melhor escolha. Uma camiseta inteiramente branca vai destoar menos do que uma tentativa mais ousada. Garanto.
Quanto aos acessórios mais específicos como por exemplo “chaps”, botas altas de borracha, jockstraps, armbands e quepes, não há muito o que pensar. São interesses bem específicos.
De uma forma geral, o que deve ser usado em um encontro / casa específica BDSM parte do princípio de não parecer uma árvore de Natal, não se preocupar tanto com a moda, em ser “estiloso” demais, e sim tentar passar alguma idéia sobre seus gostos e interesses.
Antes que seja tarde demais para avisar: sem perfume.

Até mais,
CigarMaster